Prazeres e sensações de Cape Town
* A felicidade de ser recepcionado por um povo alegre, apesar de uma história tão sofrida
* Observar, pasmo, as marcas dessa triste história
* Esbaldar-se em frutos do mar deliciosos a preços irrisórios
* Provar refeições apimentadas (e se for como eu, voltar viciado em pimenta-do-reino)
* Encantar-se com o artesanato colorido, vivo
* Sentir o vento como nunca antes
* Aproveitar a vida com um povo que sobe montanhas para ver o pôr-do-sol
* Notar os detalhes da herança colonial inglesa e holandesa misturados ao tradicional africano
* Entender porque é chamada de “Cidade-Mãe” e perceber que sim, poderia ser feliz morando lá
Muito bom, né? Mas nem tudo são flores. O transporte público, por exemplo, é praticamente inexistente. Prometeram melhorias para a Copa, vamos esperar…
De qualquer forma, vá preparado para gastar dinheiro nesse item (o que me deixava com um mau humor incrível).
O transporte público é precário: são vans tenebrosas, para dizer o mínimo. Não dá para entender sequer aonde estão indo. O cara passa e grita o itinerário. Esqueça. Para tentar economizar (dica boa, anote) use a rede de táxis coletivos. Você liga e diz aonde vai e o táxi passa te pegar com outros que vão na mesma direção. O preço é fixo (e está no mapa do site, em city share ride). Inusitado, mas dá até para fazer amigos. Anote: Rickk’s 0861 745 547 – ou 0861 Rikks, no teclado do telefone.
Os carros são amarelo-ovo e chegam bem rápido. Fique esperto, pois se você bobeia, eles vão embora (pois há mais gente no carro, com horário, lembra?).
* Aos domingos e feriados a feirinha rola em Green Point pela manhã
* As baleias aparecem de julho a dezembro, nas praias do lado do Pacífico
* Em abril tem o Festival Internacional de jazz. Fique atento à programação
COMIDA
É barato e come-se muito bem. Esbalde-se de peixes e frutos do mar. Salmão cru já no café da manhã. Omeletes com muita pimenta do reino. Carne de avestruz.
O “pão de queijo” (salgado rápido e barato) lá é uma tortinha folheada gostosa ou o Boerewors Roll, um cachorro-quente de linguiça apimentada e por vezes com gosto de canela. (Só usar em casos extremos…)
Frango, frango, frango. Até enjoar!
VINHOS
Nada mais perfeito para acompanhar a rica (e apimentada) culinária local.
Deixe um dia para fazer as vinícolas. Sim, lembra que eu disse três dias para Cape Town? Agora são quatro, se contar a rota dos vinhos.
Os melhores bebidas podem ser comprados diretamente nas fazendas, nos bucólicos passeios a Stellenbosch, com direito a degustações e mais degustações.
Prove os vinhos de pinotage, cerpa originada por lá. Eu particularmente não gostei muito. Em compensação achei interessante um licor tipo amarula chamado Angel’s share.
Existem centenas de vinícolas relativamente próximas, com vistas maravilhosas e lugares fantásticos para almoçar. Tudo sem pressa, curtindo o caminho. Eu almocei em Delheim, em um lindo jardim, e recomendo. Também passei pela Spier em uma festa a noite e achei interessante.
Se estiver com crianças é legal parar na volta em uma fazenda de crocodilos, como a Le Bonheur Croc Farm. Sim, é permitido atravessar andando pelos tanques onde ficam os animais menores
Fui um pouco receosa pois o tratador segura apenas um pauzico de nada. Enquanto ele bate no chão os bichos correm para a água.
SEGURANÇA
Todo mundo me pedia para não sair a noite sozinha a pé. O único medo que eu passei (e acho que a única vez que disse para mim mesma “É, agora deu errado” foi voltando do Waterfront tarde da noite por uma parte meio deserta do cais. Vi três crianças saindo debaixo das grades e, quando se aproximaram, vi que eram três homens chineses, coreanos, algo assim. Naquele momento senti que tinha me dado mal. Era um local absolutamente deserto e escuro e não gostei dos caras. Vieram na minha direção e pararam na minha frente. Começaram a dizer coisas que eu não entendi e UM DELES PISOU NO MEU PÉ! Deram risada e saíram andando. Eu não tenho a menor idéia de que tipo de insulto é pisar no pé no país deles, mas agradeci feliz da vida!
Já estava perto do hotel (este chiquérrimo aqui) e encontro um rapaz que conheci no Cabo da Boa Esperança. Ele voltava do meu hotel, onde passou para me deixar um presentinho e tinha acabado de ser assaltado, no outro quarteirão! Faltavam dois quarteirões para chegar ao hotel e dei uma corridinha, aquela noite já estava com emoções demais para o meu gosto e eu não queria descobrir se o ladrão que o assaltou ainda estava por lá.
Mas não é para temer, juro! Tome cuidado, claro, e evite andar a pé a noite. Até porque as distâncias em Cape Town são grandes, então pegue um taxi.
HOSPITALIDADE
A melhor parte, na minha opinião. Quer coisa melhor do que viajar para um país, dar um sorriso na rua e ser correspondido? As pessoas se interessam por você, se preocupam, ajudam, conversam, dão dicas.
- Na fila do bondinho para descer a Table Moutain comecei a conversar com um casal. Chegamos embaixo e eles me deram carona até o hotel.
- Conheci uma família no Cabo da Boa Esperança (eles eram de Johanesburgo) que me deixou até presentinho no hotel.
- Um jornalista da Runner’s de lá (que conheci na ultramaratona Two Oceans) não só me deu carona como me levou para um rápido city tour.
- Lá até os alemães são mais “dóceis” rsrsrs – um menino alemão nos deu carona para voltar do concerto do Jardim Botânico.
Acredite, sei do que estou falando. Fiquei mais de 20 dias em Paris e não consegui ter um ÚNICO diálogo decente com qualquer pessoa. E isso porque na época eu ainda falava um pouco de francês, além do inglês. Ou seja, para mim, são dois extremos no termômetro da hospitalidade.
Ah, quer conquistar o pessoal, arrisque algumas expressões em africâner:
Baie dankie (“báia dãnki”) – Muito obrigada
Hoe gaan dit (“rú rân dãti”) – Como vai?
Wat is jou naan – Qual seu nome?
Goeie more (“rúia môra”) – Bom dia
Totsiens (“tutsin”) – Tchau
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