Páscoa em Praga

Vou pular do primeiro para o último dia de viagem, vale a pena. Eu já tinha lido sobre a tradição da Páscoa na República Tcheca, quando os meninos vão às casas das meninas com um “chicote” feito de ramos secos de salgueiro e BATEM no delicadíssimo bumbum branco-europa delas a fim de garantir saúde e beleza para o resto do ano. Em troca, elas dão ovos pintados ou de chocolate para eles. Bizarro, mas até ai eu não acreditei muito.

Então você começa a circular pela cidade e vê o tal chicote em todo canto. Uns bem grandes, aliás, e pensa que talvez eles usem aquilo para decoração, sei lá, o ramo é até bonitinho. Por via das dúvidas, e com fins antropológicos/decorativos, até trouxe um (chama-se pomlazka).

Uma guia me contou como rola tudo e é muito mais estranho do que eu supunha. “Alguns amigos do meu irmão eu não deixo mais baterem, MAS MINHA MÃE AINDA DEIXA”, ela contou para os meus olhos arregalados.

É assim: os grupos se reúnem na segunda-feira depois do domingo de Páscoa pela manhã beeeem cedo (o ritual acaba ao meio dia) e seguem para as casas dos conhecidos. Lá, batem na mulherada, ganham seus ovos pintados, chocolates e bebem, até seguir para outra unidade familiar.

Diz a guia que ao meio dia o irmão volta com-ple-ta-men-te bêbado para casa, incapaz de listar todos os tipos diferentes de álcool que tomou nas casas. Cruzando a informação de que la é a terra do absinto, eu não consigo imaginar o quanto a coitada que apanhou às 11h50 de um bando de bêbados sofreu rsrsr. Em tempo: minha guia confessou que já usou almofadas embaixo da calça.

Sabe quando mesmo ouvindo tudo você ainda não acredita muuuito? Pois na fatídica segunda-feira eu estava voltando a Praga, vindo de Viena. Quase chegando, pela manhã, começo a ouvir chicotadas e GRITINHOS no trem. Olho para trás, duas meninas em pé. Claaaro que eu não me contive, esperei um pouco e fui lá ver. Pois bem, eram dois casais. Em cima da mesa, chicotes e ovinhos de chocolate.

Imediatamente os meninos olharam para mim com uma cara de “A-HA” e eu sai correndo sentar quieta no meu canto. Definitivamente, encerrar a viagem apanhando de estranhos em um trem estava fora do roteiro. :)

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04 2010

ANO NOVO EM MUNDAU (CE)

morcego

Vou interromper a série da África do Sul (falta esmiuçar a Garden Route, com mergulho com tubarões) para aplacar a curiosidade de muita gente sobre meu reveillon. Estava em Mundau (CE). Depois de sacolejar quase quatro horas em um ônibus vindo de Canoa Quebrada, chegamos à rodoviária de Fortaleza (alguém nesse mundo me explica porque ainda deixam essa viação São Benedito existir ???).

Chegamos a tempo de pegar o último ônibus direto para Mundau. Ufa, que sorte! (Pausa longa e irônica). Eram 4h da tarde e chegamos a Mundau às 22h, depois de passar por todas as bimbocas possíveis e sempre rezando: – Por favor, que Mundau não seja aqui. (Um detalhe: ao todo, 10h de ônibus para rodar menos de 400km por vias asfaltadas).

Enfim, chegamos. Mundau não é uma cidade para se chegar a noite e depois de tanto sofrimento. Em outras palavras, lá não tem absolutamente N-A-D-A. A dona da pousada era meio doida e simplesmente esqueceu que chegaríamos aquele dia e foi arrumar o quarto. (Isso porque a maior parte das nossas diárias já havia sido paga antecipadamente).

Melhor dormir e esperar o dia seguinte. A cidade tem coisas lindas, mas só durante o dia, como dunas, lagoas, rio, praia. Ok, dormir. Você sabe o que é dormir com morcegos no quarto? Não, não entre o forro e o telhado, nem na janela. NO quarto. DENTRO. Nosso singelo cômodo fazia parte da rota dos bichinhos, que entravam de um lado, passavam por cima de nossas cabeças e saiam por um vãozinho do outro lado. Tentei lembrar de tudo que já havia assistido no Discovery Channel. Como era mesmo? Recapitulei:

1) Morcegos transmitem raiva

2) Morcegos fazem você virar vampiros (Não, não, isso não foi no Discovery…)

3) A maioria das espécies se alimenta de frutas

4) Eles são meio ceguetas (Essa era a pior. Primeiro, ele podia confundir meu pé com uma carambola qualquer. Segundo, ele podia errar o vãozinho e cair na minha cabeça)

Tentativa de remediar a situação: Três noites de luz acesa (não adianta nada) e uma tenda árabe feita com canga sobre a cabeça.

Depois eu conto tudo de legal que teve lá. Não grandes coisas, mas vamos organizar. Lembra como foi chegar a Mundau? Eu ainda não sabia como sair de lá. O Ceará tem um problema seriissimo de transporte público. Não existem ônibus interurbanos. Todos eles são como circulares que vão de cidade a outra, mesmo em trajetos muito distantes, fazendo milhões de paradas.

Para sair de Mundau e seguir na direção de Jeri eu só tinha uma opção: chegar a Itapipoca, uns 40 km dali. Ha! E como chegar a Itapipoca? “Olha, tem que ser o pau de arara. Ele passa todo dia entre 4h e 5h da manhã”. Ah tá. E lá vamos nós, levantar antes das 4h (oi, batman) e esperar o pau de arara que nos levaria a outra dimensão.

Às 7h da manhã chegamos a Itapipoca. Sim, eram apenas 40 km – em mais de duas horas. Itapipoca é uma cidade grande. 200 mil habitantes, segundo o taxista. Mas é assustadora. Bois e porcos pendurados sangrando nas calçadas dos vários açougues. Havia uma praça bonitinha (um alento, podemos esperar o ônibus ali, pensamos), mas o pau de arara seguiu adiante. Não, não era ali nossa parada.

O “guichê” da Redenção para esperar o ônibus para Jeri era horrendo. Sabe a 25 de Março? Pareceria o Shopping Iguatemi. Eram 7h da manhã, nosso ônibus passaria “entre 11h e 11h40, num dá pra ti dizê” e chegaria a Jijoca às 15h30. Novamente, todo esse tempo para andar 150 km por asfalto.

Haviamos acordado às 3h30 da manhã e esperar até as 11h ali, para então sacolejar até as 4h da tarde estava totalmente fora de questão. Minha muquiranice é algo digno de nota, mas dessa vez o Ceará ganhou. Pegamos um táxi (R$ 160, gastos com muito gosto rsrs) e às 9h da manhã estava em Jijoca. Às 10h, em Jeri. Olá, férias! :)

15

01 2010

CAPE TOWN – FOTOS E SERVIÇO GERAL

SERVIÇO

Quem leva: South African Airways. Passagens a partir de US$ 900. A duração do vôo é de nove horas até Johanesburgo e mais duas horas até a Cidade do Cabo. Não é necessário visto, apenas passaporte e comprovante internacional de vacina contra febre amarela (leve o comprovante nacional e apresente na sala da Anvisa no aeroporto de Cumbica).
Fuso horário: 5 horas a mais.

Energia: Tomada de três pinos GIGANTE. Terá que comprar um adaptador lá.
Idioma: Inglês e africâner (mais comuns).
Câmbio: aproximadamente US$ 1 = R 8 (rands)
Clima: Na Cidade do Cabo a média de temperatura no verão é de 24ºC e no inverno 18ºC. Em qualquer época, no entanto, venta bastante.
Guias: Dois OK que conheci Energy Tour (Jeremy) e Jorvantours (Brian). O atencioso Brian parecia ainda mais turista que eu, tirando fotos animadas de tudo. Tristemente ele me contou que passou a maior parte da vida sem poder frequentar aqueles lugares durante o apartheid.

FOTOS GERAIS


E essa foi a única pessoa do grupo que quis atravessar pelo tanque. Sim, o tratador está segurando apenas um bastão de limpar piscina….

Enfeite diferente de árvore de Natal e tecidinhos etnicos vendidos em qualquer esquina – levinhos para colocar na mala. Depois é só mandar fazer uma moldura legal.

22

12 2009

CAPE TOWN: COMPRAS E HOTÉIS

COMPRAS: 14% de volta:
Para compras acima de 250 rands peça a nota fiscal específica para o VAT.
Esteja com antecedência no aeroporto de Johanesburgo e ANTES de despachar as malas vá ao guichê de VAT – uma bancada estranha, na verdade – e mostre os recibos e os itens comprados. Sim, é um festival de calcinha para um lado, soutien do outro até você encontrar no fundo da mala o bendito rinoceronte de madeira que comprou para aquela tia-avó do vizinho.
Assim feito, o moço carimba os recibos para você receber 14% de imposto de volta.

Despache suas malas e siga em frente. Depois da imigração, antes de embarcar, pegue esse papel e vá à casa de câmbio e receba o valor em dólares ou direto no cartão de crédito. Eu sempre peguei em cash.

- Não se preocupe se despachou os bens adquiridos nas malas em Cape Town, pois terá que pegá-las em Johanesburgo novamente durante a conexão.
- É um mico sem tamanho! Da primeira vez eu obviamente não sabia que teria que procurar as coisas na mala para mostrar ao responsável pelo VAT. Calcinhas, soutiens, roupa suja e bagunça pra todo lado. Deixe tudo separadinho :)
- É uma maratona. Se estiver perdendo hora, deixe para lá, pois o valor não é tão significativo – a não ser que você tenha comprado muita coisa meeesmo.

Desafio: fechar a mala pela segunda vez, no aeroporto…

O shopping de Cape Town fica bem fora de mão. O Canal Walk (a primeira foto do post) é grandioso, mas só pra quem gosta muito de shopping. Se for para compras esportivas, não vale a pena. Tem apenas uma loja de bike, bem fraca.

Para comprar bikes e acessórios a excelente loja que eu tinha para indicar fechou, a Willie Engelbrecht. Alguém tem outras sugestões?

A Cycle Lab parece ser boa e muito forte, especialmente em Mtb.

HOTÉIS

O primeiro que passei foi o Circa, do Urban Hip Hotels. Imenso e completíssimo. Cozinha e lavanderia completa dentro do studio. Dois banheiros, sala imensa. Dava gosto chegar no fim do dia acabada.

Depois passei pelo The Cullinan Southern Sun. Quartos normais, mas a localização era bem melhor. Café da manhã espetacular. E uma piscina linda, embora eu seja terminantemente contra usar a piscina em um lugar de praia.

(No Cullinan eu comprovei a fama dos indianos de ficarem ensandecidos com coisas grátis. Um menino entrava a toda hora na sala da academia para pegar garrafas e mais garrafas de água que ficavam à disposição. o.O). Perto do Waterfront.

Fiquei também no Cape Royale. Localização ótima, em Green Point, exatamente em frente ao estádio construído para a Copa do Mundo. Perto do Waterfront também. Café da manhã maravilhoso, com salmão e mais salmão cru. Eu me vendo fácil por comida….
Os studios também são completíssimos e imensos.

Esses acima são todos hotéis cinco estrelas e os preços bem razoáveis pelo que oferecem (Mas lembre-se, eu estava a trabalho – minha muquiranice jamais deixaria que me hospedasse em algum deles rsrs).

Mas a África do Sul não é, nem de longe, um país caro. Mas dá para encontrar acomodações bem mais em conta com facilidade.

Um dos lugares mais inusitados que passei a noite foi dentro do Parque Nacional da Table Moutain. Um albergue simples, rústico, mas super interessante e aconchegante. O problema é que fica bem fora de mão para sair a noite comer, por exemplo. Tentamos pedir uma pizza pra Renata Falzoni e foi MUITO difícil. O pessoal do alojamento era muito simples e nunca tinha feito isso antes. Não conseguíamos também voltar para lá pois nenhum taxista sabia onde ficava o local. E eita nomezinho difícil de lembrar: Hoerikagoo. O jeito foi tirar foto da placa de uma rua próxima e mostrar para os taxistas.

21

12 2009

Cape Town, África do Sul – dicas práticas

Prazeres e sensações de Cape Town

* A felicidade de ser recepcionado por um povo alegre, apesar de uma história tão sofrida

* Observar, pasmo, as marcas dessa triste história

* Esbaldar-se em frutos do mar deliciosos a preços irrisórios

* Provar refeições apimentadas (e se for como eu, voltar viciado em pimenta-do-reino)

* Encantar-se com o artesanato colorido, vivo

* Sentir o vento como nunca antes

* Aproveitar a vida com um povo que sobe montanhas para ver o pôr-do-sol

* Notar os detalhes da herança colonial inglesa e holandesa misturados ao tradicional africano

* Entender porque é chamada de “Cidade-Mãe” e perceber que sim, poderia ser feliz morando lá

Muito bom, né? Mas nem tudo são flores. O transporte público, por exemplo, é praticamente inexistente. Prometeram melhorias para a Copa, vamos esperar…

De qualquer forma, vá preparado para gastar dinheiro nesse item (o que me deixava com um mau humor incrível).

O transporte público é precário: são vans tenebrosas, para dizer o mínimo. Não dá para entender sequer aonde estão indo. O cara passa e grita o itinerário. Esqueça. Para tentar economizar (dica boa, anote) use a rede de táxis coletivos. Você liga e diz aonde vai e o táxi passa te pegar com outros que vão na mesma direção. O preço é fixo (e está no mapa do site, em city share ride). Inusitado, mas dá até para fazer amigos. Anote: Rickk’s 0861 745 547 – ou 0861 Rikks, no teclado do telefone.

Os carros são amarelo-ovo e chegam bem rápido. Fique esperto, pois se você bobeia, eles vão embora (pois há mais gente no carro, com horário, lembra?).

* Aos domingos e feriados a feirinha rola em Green Point pela manhã

* As baleias aparecem de julho a dezembro, nas praias do lado do Pacífico

* Em abril tem o Festival Internacional de jazz. Fique atento à programação

COMIDA

É barato e come-se muito bem. Esbalde-se de peixes e frutos do mar. Salmão cru já no café da manhã. Omeletes com muita pimenta do reino. Carne de avestruz.

O “pão de queijo” (salgado rápido e barato) lá é uma tortinha folheada gostosa ou o Boerewors Roll, um cachorro-quente de linguiça apimentada e por vezes com gosto de canela. (Só usar em casos extremos…)

Frango, frango, frango. Até enjoar!

VINHOS

Nada mais perfeito para acompanhar a rica (e apimentada) culinária local.

Deixe um dia para fazer as vinícolas. Sim, lembra que eu disse três dias para Cape Town? Agora são quatro, se contar a rota dos vinhos.

Os melhores bebidas podem ser comprados diretamente nas fazendas, nos bucólicos passeios a Stellenbosch, com direito a degustações e mais degustações.

Prove os vinhos de pinotage, cerpa originada por lá. Eu particularmente não gostei muito. Em compensação achei interessante um licor tipo amarula chamado Angel’s share.

Existem centenas de vinícolas relativamente próximas, com vistas maravilhosas e lugares fantásticos para almoçar. Tudo sem pressa, curtindo o caminho. Eu almocei em Delheim, em um lindo jardim, e recomendo. Também passei pela Spier em uma festa a noite e achei interessante.

Se estiver com crianças é legal parar na volta em uma fazenda de crocodilos, como a Le Bonheur Croc Farm. Sim, é permitido atravessar andando pelos tanques onde ficam os animais menores :)

Fui um pouco receosa pois o tratador segura apenas um pauzico de nada. Enquanto ele bate no chão os bichos correm para a água.

SEGURANÇA

Todo mundo me pedia para não sair a noite sozinha a pé. O único medo que eu passei (e acho que a única vez que disse para mim mesma “É, agora deu errado” foi voltando do Waterfront tarde da noite por uma parte meio deserta do cais. Vi três crianças saindo debaixo das grades e, quando se aproximaram, vi que eram três homens chineses, coreanos, algo assim. Naquele momento senti que tinha me dado mal. Era um local absolutamente deserto e escuro e não gostei dos caras. Vieram na minha direção e pararam na minha frente. Começaram a dizer coisas que eu não entendi e UM DELES PISOU NO MEU PÉ! Deram risada e saíram andando. Eu não tenho a menor idéia de que tipo de insulto é pisar no pé no país deles, mas agradeci feliz da vida!

Já estava perto do hotel (este chiquérrimo aqui) e encontro um rapaz que conheci no Cabo da Boa Esperança. Ele voltava do meu hotel, onde passou para me deixar um presentinho e tinha acabado de ser assaltado, no outro quarteirão! Faltavam dois quarteirões para chegar ao hotel e dei uma corridinha, aquela noite já estava com emoções demais para o meu gosto e eu não queria descobrir se o ladrão que o assaltou ainda estava por lá.

Mas não é para temer, juro! Tome cuidado, claro, e evite andar a pé a noite. Até porque as distâncias em Cape Town são grandes, então pegue um taxi.

HOSPITALIDADE

A melhor parte, na minha opinião. Quer coisa melhor do que viajar para um país, dar um sorriso na rua e ser correspondido? As pessoas se interessam por você, se preocupam, ajudam, conversam, dão dicas.

- Na fila do bondinho para descer a Table Moutain comecei a conversar com um casal. Chegamos embaixo e eles me deram carona até o hotel.

- Conheci uma família no Cabo da Boa Esperança (eles eram de Johanesburgo) que me deixou até presentinho no hotel.

- Um jornalista da Runner’s de lá (que conheci na ultramaratona Two Oceans) não só me deu carona como me levou para um rápido city tour.

- Lá até os alemães são mais “dóceis” rsrsrs – um menino alemão nos deu carona para voltar do concerto do Jardim Botânico.

Acredite, sei do que estou falando. Fiquei mais de 20 dias em Paris e não consegui ter um ÚNICO diálogo decente com qualquer pessoa. E isso porque na época eu ainda falava um pouco de francês, além do inglês. Ou seja, para mim, são dois extremos no termômetro da hospitalidade.

Ah, quer conquistar o pessoal, arrisque algumas expressões em africâner:

Baie dankie (“báia dãnki”) – Muito obrigada

Hoe gaan dit (“rú rân dãti”) – Como vai?

Wat is jou naan – Qual seu nome?

Goeie more (“rúia môra”) – Bom dia

Totsiens (“tutsin”) – Tchau

A seguir: Fotos desse post, Compras, Hotéis, Garden Route, bike, corrida

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10 2009