PEDAL NA ÁFRICA DO SUL

Quem não pedala horrores a ponto de fazer o Cape Epic e tá com dinheiro sobrando pode tentar os Day Trippers, um grupo que faz o mesmo trajeto do Epic mas com regalias. Como uma van segue junto, é subir e pedir arrego ao Steve quando cansar ou não quiser encarar uma das subidas mais insanas. Está cerca de R$ 3 mil por pessoa (praticamente o dobro do Epic).

Os Day Trippers não dormem nos acampamentos, normalmente ficam em pousadas ou hotéis. É o maior inconveniente pois além de ajudar a salgar o preço, acaba separando as pessoas a noite. (A maioria dos Trippers são mulheres acompanhando namorados e maridos do Epic).

Não que alguém esteja em condições de pensar em fazer qualquer coisa a noite, mas….

Além do Cape Epic, a empresa faz uma série de outros passeios por Cape Town e arredores, seja de um dia ou pequenas viagens. Dá até para encarar os 450 km da Garden Route. Steve, o dono, cuida da empresa com a sua mulher e os dois são animadíssimos. Pra quem não quer se aventurar sozinho pelo país, certamente é a melhor opção.

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01 2010

CAPE EPIC – CRUZANDO A ÁFRICA DO SUL

Eu acredito profundamente que quem participa de uma prova como o Cape Epic é meio maluco. Doido varrido.

Mesmo assim eu incentivo todo mundo a participar e sempre vibro com cada brasileiro lá.

A boa notícia é que depois de dois anos consecutivos cobrindo a prova digo que ela está bem mais civilizada. Em 2008 a contabilidade dos “estragos” ao fim do dia era bem mais cruel. Ainda assim, não espere moleza. São 722 km e quase 15 mil metros de subidas acumuladas.

Entre os dois anos, mais mudanças: um dia a menos de prova, menos quilometragem e a permanência de mais dias em cada vilarejo. Neste ano serão até três noites em cada acampamento e um contra-relógio. Perde muito em charme (acordar cada dia em um lugar diferente), mas para os ciclistas é sinônimo de descanso extra, sempre bem-vindo.

Na última edição, um recorde de brasileiros. Ao todo, éramos 40, contando duplas na corrida, voluntários, imprensa e Epic Trippers. Foi a primeira vez que brasileiros subiram ao pódio do Epic. A maior festa verde-amarela quando Dudu Soares e Daniel Aliperti chegaram em terceiro no master. Até então, a entrega de prêmios durante o jantar era uma cerimônia insossa e quase tediosa, até que “os brasileiros ensinaram ao mundo como é que se celebra”, nas palavras de Terry Kobus, da organização de mídia (o cara que pacientemente nos levava todos os dias para percorrer o mesmo trecho que os atletas – mas chacoalhando confortavelmente em uma Toyota).

Esse ano até a Globo estava lá (mas por razões suspeitíssimas). Veja o vídeo do Esporte Espetacular que causou o maior rebuliço por não mostrar os brasileiros do pódio aqui.

JOGO RÁPIDO

Quanto treinar
A prova será entre os dias 20 e 27 de março. Treino forte específico entre seis e oito meses. É bom ter feito alguma das rotas difíceis no Brasil, como o Caminho do Ouro (Diamantina/Ouro Preto a Paraty) ou o Caminho da Fé, de Tambau a Aparecida, por exemplo. A Serra da Canastra também foi citada como um bom lugar de treinos.

O que levar
Lanterna de cabeça, saco de dormir, cadeados e pouquíssima bagagem, pois você terá que fazer tudo caber dentro de uma única mala. Há serviço de lavanderia todos os dias e o preço não é abusivo.

O que vai comer
Na inscrição já está incluso o café da manhã e o jantar, tudo devidamente apimentado, como manda a culinária local e para desespero de alguns competidores.

O café da manhã é composto por: chafé (um terror), ovos mexidos com lingüiça, pão, queijo, frutas e cereal. O iogurte deles é maravilhoso.

Almoço: barraquinhas no acampamento. Não dá para fugir muito dos chamados Boerewors Roll, um cachorro-quente de lingüiça (apimentada, pra variar, e às vezes com gosto de canela).

Jantar (servido às 18h): macarrão, batata, frango, frango, frango, frango, frutas.

Para dormir
Você até tem a opção de pagar (bem mais) caro e não ficar nas barracas do acampamento, mas, a meu ver, perde o verdadeiro sentido da prova. Além disso, a barraca é confortável e você estará tão cansado que nem vai notar nada mesmo. Escolha uma bem longe dos banheiros. O vai-e-vem à noite é constante.


Vista das barracas. Nada mau.

Com quem ir
Não adianta escolher um parceiro porque ele é muito engraçado, camarada ou pelos belos olhos verdes. No fim das contas, vocês estarão se matando. Já vi muito bate-boca, cara feia, casamentos quase desfeitos na trilha. Tem que ser alguém com o mesmo ritmo, mesmo treino, mesmas condições. A prova já é dura por si só, então não piore. Ninguém termina o Epic em dupla sem ter um companheirismo absurdo: um dia o parceiro não está rendendo muito, no outro dia é você e assim por diante. Essas pequenas diferenças são aceitáveis e normais. Mas se o condicionamento e os objetivos são muito diferentes, com o passar dos dias isso torna-se insuportável.

Quanto custa
Passagem aérea: a partir de US$ 1.200, com a South African Airways. Na minha opinião, uma das melhores companhias aéreas em relação ao serviço de bordo. Você vai até Johanesburgo e de lá faz a conexão. Não se assuste se for parado pela imigração. Eu fui todas as vezes e não vou nem pensar sobre o que eles acham que tenho cara. Cansei de ter o cadeado da mala arrebentado e já deixo tudo aberto.
Inscrição: US$ 3.300 por dupla (a mais simples, para ficar no acampamento). Subiu, pois ano passado estava US$ 2.500. Mesmo assim é barato. Provavelmente eles vão gastar mais do que isso em você, só em massagens nas suas pernas e bunda e curativos nos seus pés (ou o que sobrar deles).

O inventor da moutain bike e seu bigodinho simpático, Tom Ritchey, presença garantida todos os anos

Chegada do último dia das campeãs femininas 2008


Dudu Soares e Daniel Aliperti: primeiro pódio brasileiro no Epic

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01 2010

Corrida na Cidade do Cabo – Two Oceans

Quem pratica o esporte pode conciliar a viagem com algumas das famosas provas que são realizadas lá. Em Cape Town a mais tradicional é a ultramaratona Two Oceans, sempre no sábado de Aleluia (3 de abril de 2010 – inscrições até 3 de março), com opção de 21 km ou 56 km.

A ultra tem o trajeto mais interessante, sendo quase todo realizado próximo ao mar e pela Chapman´s Peak, a linda rodovia que circunda a montanha que margeia o oceano. A meia-maratona passa longe, longe do mar.

A prova é bem organizada e bastante animada. As famílias aproveitam para ficar na porta de casa fazendo churrasquinhos. Impossível não se sentir em casa. rsrs

Costuma ventar MUITO. Em 2008 a ventania chegou a 41km/h.

Entre meia e ultra são 18 mil corredores. Em 2008, uma brasileira muito especial: Isabel da Silveira, 60 anos, de Belém do Pará. Em 2006 ela tentava sua terceira ultra. Teve um ataque cardíaco no km 30, ficou dois dias em coma no hospital e acordou brigando com o médico pois precisava voltar para a corrida. Ela, claro, contava isso enquanto alongava para correr a meia-maratona. “Vou ser mais conservadora esse ano”, disse, rindo. Bom humor a toda prova.


O trajeto amarelo é a meia-maratona. Em vermelho, os 56km.

Em tempo: Apesar de chamar Two Oceans e ir de um lado a outro do Cabo da Boa Esperança, teoricamente a prova só passa pelo oceano Atlântico. O encontro com o Índico fica alguns quilômetros adiante, no Cabo das Agulhas.

PETER

Você acha que corre muito? Esse senhor ai de cima é Peter Taylor. Tem 50 anos e correu as últimas 22 edições da Two Oceans. A ultra (56km). DESCALÇO. E pra ficar mais divertido, ainda carrega esse carrinho de bebê amarrado às costas. Tudo para arrecadar dinheiro para uma associação de cães-guia para cegos. Ganhou permanentemente o número 638. “Enquanto eu estiver vivo vocês vão ver um gordo mal treinado correndo assim essa prova”, diz.

TREINOS

O que não falta é lugar interessante para correr em Cape Town. Pode tentar a Chapman’s Peak, Lion’s Head ou a Table Moutain para treinos duros. Sea Point é plano e de fácil acesso. Clique aqui para ver algumas outras rotas na cidade (em inglês).

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12 2009

CAPE TOWN – FOTOS E SERVIÇO GERAL

SERVIÇO

Quem leva: South African Airways. Passagens a partir de US$ 900. A duração do vôo é de nove horas até Johanesburgo e mais duas horas até a Cidade do Cabo. Não é necessário visto, apenas passaporte e comprovante internacional de vacina contra febre amarela (leve o comprovante nacional e apresente na sala da Anvisa no aeroporto de Cumbica).
Fuso horário: 5 horas a mais.

Energia: Tomada de três pinos GIGANTE. Terá que comprar um adaptador lá.
Idioma: Inglês e africâner (mais comuns).
Câmbio: aproximadamente US$ 1 = R 8 (rands)
Clima: Na Cidade do Cabo a média de temperatura no verão é de 24ºC e no inverno 18ºC. Em qualquer época, no entanto, venta bastante.
Guias: Dois OK que conheci Energy Tour (Jeremy) e Jorvantours (Brian). O atencioso Brian parecia ainda mais turista que eu, tirando fotos animadas de tudo. Tristemente ele me contou que passou a maior parte da vida sem poder frequentar aqueles lugares durante o apartheid.

FOTOS GERAIS


E essa foi a única pessoa do grupo que quis atravessar pelo tanque. Sim, o tratador está segurando apenas um bastão de limpar piscina….

Enfeite diferente de árvore de Natal e tecidinhos etnicos vendidos em qualquer esquina – levinhos para colocar na mala. Depois é só mandar fazer uma moldura legal.

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12 2009

CAPE TOWN: COMPRAS E HOTÉIS

COMPRAS: 14% de volta:
Para compras acima de 250 rands peça a nota fiscal específica para o VAT.
Esteja com antecedência no aeroporto de Johanesburgo e ANTES de despachar as malas vá ao guichê de VAT – uma bancada estranha, na verdade – e mostre os recibos e os itens comprados. Sim, é um festival de calcinha para um lado, soutien do outro até você encontrar no fundo da mala o bendito rinoceronte de madeira que comprou para aquela tia-avó do vizinho.
Assim feito, o moço carimba os recibos para você receber 14% de imposto de volta.

Despache suas malas e siga em frente. Depois da imigração, antes de embarcar, pegue esse papel e vá à casa de câmbio e receba o valor em dólares ou direto no cartão de crédito. Eu sempre peguei em cash.

- Não se preocupe se despachou os bens adquiridos nas malas em Cape Town, pois terá que pegá-las em Johanesburgo novamente durante a conexão.
- É um mico sem tamanho! Da primeira vez eu obviamente não sabia que teria que procurar as coisas na mala para mostrar ao responsável pelo VAT. Calcinhas, soutiens, roupa suja e bagunça pra todo lado. Deixe tudo separadinho :)
- É uma maratona. Se estiver perdendo hora, deixe para lá, pois o valor não é tão significativo – a não ser que você tenha comprado muita coisa meeesmo.

Desafio: fechar a mala pela segunda vez, no aeroporto…

O shopping de Cape Town fica bem fora de mão. O Canal Walk (a primeira foto do post) é grandioso, mas só pra quem gosta muito de shopping. Se for para compras esportivas, não vale a pena. Tem apenas uma loja de bike, bem fraca.

Para comprar bikes e acessórios a excelente loja que eu tinha para indicar fechou, a Willie Engelbrecht. Alguém tem outras sugestões?

A Cycle Lab parece ser boa e muito forte, especialmente em Mtb.

HOTÉIS

O primeiro que passei foi o Circa, do Urban Hip Hotels. Imenso e completíssimo. Cozinha e lavanderia completa dentro do studio. Dois banheiros, sala imensa. Dava gosto chegar no fim do dia acabada.

Depois passei pelo The Cullinan Southern Sun. Quartos normais, mas a localização era bem melhor. Café da manhã espetacular. E uma piscina linda, embora eu seja terminantemente contra usar a piscina em um lugar de praia.

(No Cullinan eu comprovei a fama dos indianos de ficarem ensandecidos com coisas grátis. Um menino entrava a toda hora na sala da academia para pegar garrafas e mais garrafas de água que ficavam à disposição. o.O). Perto do Waterfront.

Fiquei também no Cape Royale. Localização ótima, em Green Point, exatamente em frente ao estádio construído para a Copa do Mundo. Perto do Waterfront também. Café da manhã maravilhoso, com salmão e mais salmão cru. Eu me vendo fácil por comida….
Os studios também são completíssimos e imensos.

Esses acima são todos hotéis cinco estrelas e os preços bem razoáveis pelo que oferecem (Mas lembre-se, eu estava a trabalho – minha muquiranice jamais deixaria que me hospedasse em algum deles rsrs).

Mas a África do Sul não é, nem de longe, um país caro. Mas dá para encontrar acomodações bem mais em conta com facilidade.

Um dos lugares mais inusitados que passei a noite foi dentro do Parque Nacional da Table Moutain. Um albergue simples, rústico, mas super interessante e aconchegante. O problema é que fica bem fora de mão para sair a noite comer, por exemplo. Tentamos pedir uma pizza pra Renata Falzoni e foi MUITO difícil. O pessoal do alojamento era muito simples e nunca tinha feito isso antes. Não conseguíamos também voltar para lá pois nenhum taxista sabia onde ficava o local. E eita nomezinho difícil de lembrar: Hoerikagoo. O jeito foi tirar foto da placa de uma rua próxima e mostrar para os taxistas.

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12 2009