Corre Mundo

MARANHÃO – São Luís e Alcântara


Aviso: os posts do Maranhão podem conter muitos exageros porque esta viagem é espetacular.

“A maré enche tudo. A vista, a memória, os corpos”

 

Becos famosos da história de São Luís. O primeiro indica o local de despejo dos nobres dejetos. O de baixo, dos escravos, cuja alimentação era em grande parte composta de caranguejo

 

 

SÃO LUÍS do tambor de crioula, do bumba-meu-boi, da colonização francesa, portuguesa, do guaraná  Jesus e das radiolas

Do Patrimônio Cultural da Humanidade o que resta intacto mesmo é o coletivo de baratas. Seriam 4 mil construções dos séculos 18 e 19. Estão pouco preservadas, infelizmente, a maior parte em estado de miséria. É decadente, mas lindo.

Entendo que a parte ‘nova’ de São Luís seja muito mais agradável para hospedagem da maior parte dos turistas, mas o centro histórico (Reviver) é vivo e vibrante como a cultura do Maranhão. E seus moradores são doces, gentis, e as radiolas tocam reggae com traduções amalucadas (o bar em frente ao albergue chamava FM Natty Nayfson. Acho que isso explica muita coisa).

Se tiver um dia inteiro muito ativo dá conta de ver as coisas mais importantes, mas dois dias seria o ideal. E depois mais um para Alcântara.

 

Restaurante Antigamente

 

Ruas do Reviver

Tiquiras (de mandioca brava) e cachaças (de cana) no Mercado Praia Grande

 

 

ONDE COMER
Almoço – o restaurante do Senac no Reviver é caro, mas bom
O Antigamente (no Reviver) – tem um Arroz do Mar delicioso. Para mim, inesquecível por ter reunido pessoas adoráveis que conheci em épocas e lugares tão diferentes da minha vida quase por coincidência. Ou sincronicidade, como diria um desses amigos à mesa
Porto Maracangalha – e o já famoso pastel de carne com geleia de pimenta (eles vendem potinhos com a geleia, um ótimo presente). Fica na Avenida Litorânea 3, Ponta d´areia (FECHOU). A indicação agora é o Cabana do Sol e o bar Estrela Dalva (com destaque para o caranguejo, como me avisou o amigo Rocha).
Lagoa da Jansen – Bares e restaurantes descoladinhos
Sorveteria Elefantinho na Lagoa da Jansen – É bem simples mas vive cheia. Para quem é de lá, tem gosto de infância por ser uma das mais antigas da cidade (Dica do Gustavo, amigo ludovicense que conheci na África do Sul)

 

 

NOITE
Bar do Nelson na praia do Calhau – reggae todo sábado
Chama Maré – barzinho de reggae na praia da Ponta-d’areia. Funciona aos domingos de frente para o mar e tem início antes do pôr do sol (o mais bonito de São Luís). Se der sorte ainda pode ver no dia uma roda de tambor de crioula (outra dica do Gustavo)
Odeon (no Reviver) – misto de barzinho, música e arte
Chez mois (no Reviver) – barzinho de musica eletrônica e rock

 

O QUE VER
Sexta às 18h tem Tambor de Crioula no mercado Praia Grande (Casa das Tulhas). Prove lá também a tiquira, aguardente de mandioca brava.

 

Palácio dos Leões – Sede do governo. Visitas guiadas segundas, quartas e sextas das 14h às 17h.  Ao lado fica o Palácio Ravardiére, Prefeitura de São Luís, construção de 1689 onde funcionava Câmara e Cadeia.

 

 

Igreja da Sé – Altar mor tombado pelo Patrimônio Histórico. Foi construída pelos jesuítas no século 17 em homenagem a Nossa Senhora da Vitória que apareceu na Batalha de Guaxenduba para proteger os portugueses em minoria contra os franceses.

Fonte do Ribeirão – De 1796, com três janelas e cinco carrancas esculpidas em pedra, é cercado de lendas. Dizem que há uma serpente por baixo de todo o Centro Histórico. A cabeça está nesta fonte, a barriga na Igreja do Carmo e a cauda na Igreja São Pantaleão. Ela continua crescendo e quando cabeça e cauda se encontrarem haverá a destruição da cidade.

Teatro Arthur de Azevedo – Bela construção de 1817 um dos mais antigos do país. Visitação de terça à sexta das 15h às 17h se não houver peças. Quando fui estavam em montagem e não pude conhecer por dentro.

Casa do Maranhão – Museu folclórico (o mais completo, na minha opinião) próximo ao trapiche onde saem as lanchas para Alcântara. Muito sobre o lindo bumba-meu-boi. Fantasias, adereços e a história dos diferentes sotaques. Embaixo uma pequena loja. Terça à sexta das 9h às 19h e sábado, domingo e feriado até às 18h.

 

 

Fantasia parte do enredo do bumba-meu-boi maranhense

 

Casa de Nhozinho – Bem pequeno. Quando fui havia guias muito atenciosas, o que foi ótimo. Nhozinho foi um artesão que mesmo com as mãos atrofiadas por uma doença continuou a fazer belas miniaturas.  O museu retrata a vida do povo maranhense: pesca, cerâmica, buriti. Aquela frase do começo do post sobre a maré é de um poema de lá. Terça a domingo das 9h às 19h.

 

Miniaturas de Nhozinho

 

Centro de Cultura Popular Domingos Vieira Filho (Casa de Festa) – Um sobrado com roupas e adereços das religiões e tradições do Maranhão:  bumba-meu-boi, tambor de mina (candomblé), tambor de crioula, Festa do Divino e Carnaval. Segunda a sexta das 9h às 18h.

 

 

Igreja de São José do Desterro (fica perto do convento das mercês)

 

Igreja Nossa Senhora dos Remédios, de 1719, a única da cidade com influência do estilo gótico

 

 

 

 

ALCÂNTARA

Da Zinha, dos quilombolas, do riso e da dor

 Ruínas da Igreja de São Matias

 

O casario antigo indica o passado da aristocracia rural do Estado. A cidade foi fundada pelos portugueses em 1648 e em 1948 foi tombada pelo Patrimônio Histórico Nacional. Teve breves momentos de auge com algodão e açúcar, mas foi abandonada pelos fazendeiros e ocupada por escravos e pequenos camponeses.

O melhor lugar para almoço é a Pousada da Zinha.  Pegue as caminhonetes de transporte pois fica um pouco distante para ir a pé.
Zinha é artista plástica e cozinha como poucos. Provar sua moqueca de peixe voador e relaxar nas redes na piscina ou em uma das casas nas árvores é uma delícia.

 

Você pode se hospedar na Casa da Árvore. Mas o banheiro fica embaixo

 

 

Alcântara tem muitas construções históricas espalhadas e uma expressiva comunidade com uma vida sofrida depois da criação do Centro de Lançamento (CLA) da Aeronáutica. Dos cerca de 20 mil habitantes a maioria é descendente de quilombolas e índios.

Uma das coisas mais curiosas que encontrei na cidade são os guarás. Não as aves (elas também), mas o dinheiro próprio que essas comunidades utilizam. Nos anos 1980, com o estabelecimento do CLA as famílias tiveram que se estabelecer em agrovilas administradas pela Aeronáutica e o dinheiro foi criado em 2007 como parte do projeto.


Quanto custa? 10 guarás. Dinheiro oficial de Alcântara

 

 

 

 

Igreja do Carmo (acima)

 

Antiga capela das mercês (acima)

 

Não vá embora sem provar o doce típico, uma espécie de queijadinha de coco em forma de tartaruga chamado de doce de espécie.

 

COMO CHEGAR

Os barcos para lá saem do terminal às 7h e às 9h30, e voltam à São Luís às 8h30 e 16h. A viagem dura uma hora.

 

MAIS INFOS:  A Turomaquia tem uma série excelente sobre o Maranhão: aqui e aqui


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  • 13 Comentários

  • Super feliz de estar citada por aqui. Aliás, agradeço publicamente toda ajuda que você me prestou na época pré-viagem :)
    Beijos!

  • Olá!

    Seu post foi selecionado para a #Viajosfera, do Viaje na Viagem. Dá uma olhada em http://www.viajenaviagem.com

    Até mais,
    Bóia Paulista

    • Marina says:

      27/02/2012

      Gente, que alegria!!!! Manhêêêê, olha onde eu tô… haha :)

  • Super post! Bjs! :-)

  • JD says:

    28/02/2012

    Linda matéria. MARANHÃO É LINDO!

  • Carmen says:

    29/02/2012

    Alcântara é um destino a considerar! Lindo!
    Gostei da Casa da Árvore! Salvagem

  • Nadielly says:

    19/10/2013

    Oii.Adorei esse post,morro de vontade de conhecer São Luiz e é por que moro no estado vizinho Piauí mais nunk tive oportunidade,mais axo que próximo não vou fazer esse passeio mesmo que seja sozinha,gosto desses casarões antigos que retratam a originalidade da cidade sendo preservada até os dias atuais gosto do reggae que é muito preservado e conhecido como o som que lembra o estado.Me diz uma coisa onde vc ficou hospedada e quantos dias dá pra conhecer a cidade?abraço

    • Marina says:

      21/10/2013

      Fiquei 3 dias na capital, acho que é o suficiente. Fiquei no albergue do centro histórico e gostei muito (mas só recomendado para quem não tem medo de barata, pois na região há muitas!).

  • Nadielly says:

    22/10/2013

    rsrsr há eu não tenho.Mais agradecida pela dica,bjos

  • infelizmente há turistas que querem ficar num albergue e ter o atendimento de um resort

  • Quentinho says:

    15/02/2016

    Foi na pousada da Zinha, sou francès e para mi é o maior lugar do mundo, tranquillo, energia positiva, otimo para relaxar e contemplar.

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