Corre Mundo

MARANHÃO – Lençóis (Barrerinhas e Santo Amaro)


Já avisei sobre o lugar mais lindo-deslumbrante-espetacular do-mundo os exageros que posso escrever do Maranhão não?

Santo Amaro é uma imensidão sem fim de dunas claras e lagoas com peixes

 

Essa viagem quase não existiu. Foi feita às pressas por conta da filhadaputisse de uma chefe porque eu precisei zerar meu banco de horas e a TAM estava com promoção de milhas. Nunca havia pensado no Maranhão, confesso. A conta foi simples: com o menor número de milhas da promoção, qual o destino mais distante? Era lá.

Também só não perdi o avião porque o namorado estava na porta de embarque implorando por mais 2 minutos e eu não ia despachar malas. Desci do ônibus no meio da Ayrton Senna e abordei táxis no desespero porque teoricamente eu já tinha perdido o voo. Parou justo um sem gasolina e precisou abastecer. A chegada triunfal ao aeroporto estilo filme pastelão: campeã dos 400m rasos com barreiras e mochila voando.

Às vezes uma viagem que começa errado pode ser a viagem da sua vida. (Na maior parte das vezes é uma grande furada mesmo – aliás, preciso contar de Caracas).

 

Comece por SANTO AMARO

 

 


 

Ainda mais se for “fora de época”, pois a chance de pegar as lagoas ainda com água é maior. E, de fato, a paisagem do Parque Nacional é mais bonita que em Barreirinhas, cidade que as operadoras vendem como sede dos Lençóis.

Santo Amaro x Barreirinhas: Aos olhos rápidos de quem se perde por não ter referência naquela imensidão pode parecer tudo igual, mas não é. O Parque Nacional nos obriga todo o tempo a submissão do impossível, de saber que não dá para ver tudo. A paisagem nunca é a mesma – o vento altera as dunas constantemente. Lagoas se vão, como a Emendadas, que capitulou com o excesso de águas em um ano de muita chuva. Agora são outras lagoas, outros batismos. Então, não: não é tudo igual. A cor da areia, da água e o conjunto é diferente em cada parte.

 

Em Santo Amaro é tudo mais rústico e tranquilo, e as pousadas oferecem pouquíssima infraestrutura. Gente de vida simples, que você tem vontade de conversar por horas, entender como vivem, o que sabem – e fatalmente sai da conversa se sentindo a menor das criaturas.

Comece pelo Espigão, onde as dunas estão tomando a vegetação e mudando o curso do rio de cor amarelada. Siga para a linda Lagoa da Gaivota e termine na Betânia. A comunidade simples e a casa de seu Francisco e Dona Chagas são de emocionar. O senhor de riso fácil e 18 netos tem muita história. Enterros engraçadíssimos, drogas, a tiquira e suas lendas. Tristeza para ele foi ter operado o coração e não poder cantar mais o boi. Tristeza maior foi saber que para pagar a operação precisou vender o terreno da sua casa. Por “caridade” (de alguém que pagou migalhas por um terreno no paraíso), ainda mora lá.

O rancho de Seu Francisco na Betânia não revela nada, a princípio. Calma. Entre na canoa e atravesse o rio. Na outra margem há uma matinha, com trilha estreita. É curtíssima. Em 3 minutos estará fora dela. Como eu não sabia o que viria, foi arrebatador: uma das paisagens mais incríveis dos Lençóis, dunas e mais dunas e pequenas lagoas a perder de vista tingidas com aquela cartela de tons inexistentes do pôr do sol. Eu, uma pedra em forma de sorriso plets, nunca fiquei tão emocionada.

Caiu a noite, voltamos para a casa de seu Francisco onde dormimos com o colchão de ar na areia, dentro da barraca. Mesmo sendo dezembro não se passa calor pois o vento é incessante. Durante o dia nas lagoas é lindo ver a suavidade da areia flutuando, traçando linhas nas dunas, passeado rasa e apressada pela paisagem.

(E sim, seu cabelo vai sair Maria Betânia em todas as fotos)

O banho de água fria nessa poesia toda foi dado de caneca, com água de poço, fora da casa. Meu cabelo estava cheeeeio de areia de um dia todo rolando nas lagoas. Os homens tomaram banho no rio (muito melhor, excetuando-se a existência das sucuris, também contadas e mostradas por seu Chico). Não, você não precisa passar por isso, eu é que estava economizando o dinheiro da pousada mesmo. Mas faria tudo de novo, e não pelo dinheiro :)

Dia seguinte, tapioca da dona Chagas e Barreirinhas.

 

Espigão: águas amareladas e as dunas mudando o curso do rio


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Lagoa da Gaivota na cheia (foto do guia Julio)

 

Prainhas de água de chuva


Pela manhã, criançada se preparando para a escola. Escovar os dentes e banho “demorado”

 

 

 

BARREIRINHAS

De Santo Amaro a Barreirinhas são mais 4 horas. Lá o turismo é agressivo e chato, mas tem mais estrutura.
No horário em que chegamos não havia mais passeios e a cidade estava praticamente vazia. Fomos de quadriciclo conhecer algumas lagoas mais próximas. Em todo o trajeto, nem uma alma. Naquela época havia passeios regulares com o veículo mas eles foram proibidos ano passado devido aos abusos. Eu não teria feito se houvesse outra opção para aquele dia, meu único em Barreirinhas. Não posso dizer que vi irresponsabilidades (éramos as únicas almas lá, junto com o guia), mas a gente sabe o que acontece.

O guia espertinho levou uma companhia, então em determinado momento ele nos deixou em uma lagoa e se foi. Aquele lugar lindo e mais ninguém no mundo.

 

Destreza e habilidade: não trabalhamos

 

 

Passeio do Rio Preguiças

É o clássico de quem está em Barreirinhas, além das lagoas. Passa por Vassouras (pequenos lençóis, grandes dunas), Mandacaru (pequena comunidade com um farol) e Caburé. Tristeza, não conheci Atins. Em Caburé gostaria de passar uma noite, mas sei que as pessoas tem opiniões diferentes sobre a ‘ilhota’. O passeio é interessante, mas nada imperdível.

 

Vassouras e seus macaquinhos bravos (tenho uma teoria de que eles são perigosos e querem roubar seu dinheiro – fingindo querer comida)

 

 

Simplicidade de Caburé. Uma micro faixa rústica entre rio e mar, com mangue. Eu gostei.

 

 

 


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