Corre Mundo

DICAS PARA CONHECER OS LENÇÓIS MARANHENSES


O ROTEIRO

O Parque Nacional foi criado em 1981 com 155 mil hectares. A encrenca é grande.

Com muita coisa para ver, grandes distâncias, dificuldades de logística e principalmente poucos dias, contratei um guia – e apareceu um anjo, o Júlio (explico dele ao fim do post). O grande ‘problema’ é Santo Amaro – tem as lagoas mais cheias e bonitas, mas fica um pouco fora da rota turística mais comum. E eu tinha apenas 3 dias para os Lençóis.

Júlio nos pegou cedinho em São Luís rumo a Santo Amaro. Prestativo, perguntou se gostaríamos de conhecer as cachoeiras de Morros no caminho. Optamos por seguir em frente. Em Santo Amaro, passeios às lagoas e o grandalhão camarão da Malásia para almoço. À tarde, Espigão e Betânia, onde dormimos. No dia seguinte ele nos deixou em Barreirinhas, onde ficamos por conta própria. Uma tarde para as lagoas e um dia para o passeio pelo rio Preguiças. Hora de voltar.

 

Foto dos lençóis – surrupiada do Julio

 

Para ir por conta própria, a peregrinação mais que conhecida: Para Santo Amaro, pegue os ônibus da Cisne Branco em São Luís e desça em Sangue. Custa R$ 20 e o primeiro sai às 6h. Agende com algum guia de 4×4 de Santo Amaro para pegá-lo lá.

Para Barreirinhas: partindo de São Luís são 272 km por estradas asfaltadas direto com a Cisne Branco também.

 

Quando ir

A chuva que enche as lagoas começa em dezembro e termina em maio. Junho e julho seriam os melhores meses para encontrar a paisagem “completa” e as festas de bumba meu boi. Mas não desanime se só tiver outra época. Fui no começo de dezembro e vi muita água. Depende da quantidade de chuva do ano. Se não tiver sido um ano bom e souber que as lagoas estão vazias, considere outra data. E fora da época a chance é ter as lagoas só para você.

 

Para ter uma ideia, média de chuva mês a mês:

 

 6 COISAS QUE VOCÊ DEVE SABER ANTES DE IR

 

1 Vai chacoalhar muito

É divertido. Não há caminhos, por isso o guia tem que ser muito bom e saber onde passa. Volta, atola, molha.

 

2  Não olhe muito as fotos

Deixe sua mente limpa para receber o lugar, sem tanta expectativa de fotos cartão-postal. Assim, o impacto é maior. Aliás, acho que isso vale para toda e qualquer viagem.

 

3  Esqueça o luxo

Se você precisa de chapinha, secador, maquiagem e banheiro limpo considere outro lugar para as férias.

 

4 Converse com os locais

Além da paisagem aproveite para conhecer pessoas incríveis. Doces, fortes, humildes e lindas.

Dona Chagas e Seu Francisco, da Betânia

 

 

5  Não se apague ao nome das lagoas

Elas mudam de acordo com a quantidade de chuvas. Algumas são perenes, outras não. Contrate um guia em que confie: ele vai te levar nas que estiverem mais bonitas. Às vezes é muito melhor ficar em um trecho menos conhecido, que pode ter só você.

 

6  Encontre o guia certo

Existem várias maneiras de desbravar a região e essa foi a que deu certo para mim.

O Júlio entendeu o espírito da viagem: grana curtíssima. E fez malabarismos para que isso não nos impedisse de ver as coisas mais bonitas. Entre as opções para baratear o custo, uma noite acampado no povoado da Betânia. Foi provavelmente o lugar mais rústico que já estive. E uma daquelas experiências que te transformam para sempre.

Detalhe: ele levou as barracas, montou e passou todo o perrengue junto com a Bruna, a fofa da namorada. Levaram lanches para as paradas do caminho, nos pegaram no aeroporto e deixaram lá na madrugada da volta, nos levaram dar uma volta por São Luís. E o “pacote” acertado era apenas para Santo Amaro. Algum dia na vida você já teve um guia assim?

Pelo combinado ele só tinha que nos deixar em Barreirinhas. Mas não. Percorreu tudo atrás de passeios e também nos levou a várias pousadas para encontrar um preço bom – não arredou pé até conseguir uma bem barata. Quando ele e Bruna foram embora a vontade era de chorar por ter conhecido pessoas tão boas, francas, simples, fortes e íntegras. Raríssimas e inesquecíveis.

Fora que o Júlio claramente faz porque gosta. Conhece trilhas incríveis e roda a região como poucos. Vai por mim, se for para lá, fale com ele: cesar4x4aventura@hotmail.com

 

Julião enfrentando as cheias

Dicas muito boas sobre os Lençóis em dois outros blogs:

Turomaquia: índice Maranhão, com as delícias de Atins, que eu não conheci

E este com fotos maravilhosas sobre a travessia a pé dos Lençóis: Destino Viagem

 

 


Twitter Siga o Corremundo pelo Twitter Facebook Curta nossa página no Facebook