Corre Mundo

COZUMEL – MERGULHO, PASSEIOS, PEDAL (E MEU IRONMAN PARTICULAR)


Fui parar em Playa del Carmen meio sem querer. (Sim, isso é possível). E mais sem querer ainda descobri que Cozumel ficava em frente. O fato é que Cancun e arredores nunca estiveram em minha lista de prioridades turísticas, então não havia me debruçado para entender o local e traçar passeios e roteiros – e acabei indo parar lá meio que no susto por dois dias para um evento esportivo.

Mas decidido, iria para Cozumel.

A balsa sai de hora em hora de Playa del Carmen e leva uns 30 minutos. Custa 312 pesos ida e volta, mas compre separado para ter liberdade de horário para voltar, já que duas companhias fazem o trajeto. Fui de Ultramar e você pode consultar preços e horários aqui.

A beleza de Cozumel está debaixo d’água. Fora, algumas lojas e pouca coisa interessante para fazer. Existem ruínas maias de San Gervásio, mas provavelmente você terá visto as mais bonitas em Tulum ou Chichen itza. Foco no mar, portanto.

Os mergulhos em Cozumel dispensam apresentação. A ilha abriga quase 300 espécies de peixes, 30 de esponjas marinhas, 80 de coral, além de fofíssimas tartarugas, lagostas e outros animais. Descendo do ferry estão as barracas dos guias, todos credenciados.

Se não for mergulhar, faça snorkeling ou escolha os barcos com partes envidraçadas no casco, que  já mostram a exuberância debaixo d’água. Eu nunca havia mergulhado, tinha um certo pânico e estava sozinha – portando o bom senso me mandou fazer apenas snorkeling.

Mas em um domingo de baixa temporada eu era uma das únicas turistas da cidade (domingo é um dia morto por lá, quase tudo fecha). Pelo preço de ir sozinha no barco compensava mergulhar. Como sou mais muquirana que medrosa, fui.

Enquanto seguia o guia, nervosa, pensava em duas coisas. A primeira era que sim, ele podia nem ser guia. A outra, mais positiva: como estamos sozinhos 100% da atenção dele será para mim, minimizando a chance de ter algum problema. E o looping eterno voltava para a ideia fixa número 1: mas se der errado, ele some comigo e com aqueles papeis tenebrosos que nos submetemos antes de praticar um esporte de aventura. “Você pode morrer e está se responsabilizando por isso. Assine aqui, por favor”.

O ar já começa a faltar em terra firme mesmo. Seguimos Cozumel adentro.

Mergulhei pela primeira vez. Se você tem medo, vá em frente, eu tinha muito e consegui – só 10 metros, onde se pode ir sem o curso profissional. É uma das sensações mais deliciosas do mundo. Uma vertigem de um novo mundo, melhor, de silêncios e luz. Ao fim, não queria mais que terminasse. (Infelizmente não tenho fotos. Minha única preocupação era fazer o ar entrar e sair de mim). Muitos peixes coloridos, lindos, estranhos e uma lagosta.

Terminou perto da hora do almoço e ainda queria continuar passeando. (Mas já não tinha sido emoção de mais e era hora de sossegar o facho??) Não há transporte público. Há um ônibus que dá a volta a ilha, mas para mim é lenda, pois em mais de 3h desejei ardentemente que ele passasse, e nada. A maior parte dos turistas aluga um carro ou moto. Aluguei uma bike.

Uma reta de 16 km corta a ilha ao meio. Minha intenção era dar a meia volta completa, uns 60 km. Não consegui. O problema não foi a bike simples, o fato de estar de chinelo, sem comer e debaixo do sol do meio dia. O problema maior é que estava deserto. Ninguém, mesmo sendo um domingo e calor. De 5 em 5 km mais ou menos, um restaurante de praia e algumas pessoas. Perguntava se a próxima praia estaria mais habitada. A resposta era: não, melhor voltar pelo mesmo caminho que é mais perto, daqui para frente há cada vez menos gente. Se tem uma coisa que odeio é voltar pelo mesmo caminho, e relutei até onde deu (mais uns 16km – totalizando 32km) e, com receio de ser uma turista mulher sozinha no meio do nada e perder a balsa para voltar a Playa, comecei a pedir carona aos poucos veículos que passavam, pois eram muitas caminhonetes e daria para colocar a bike na caçamba. Esperava, na verdade, que passasse o tal do ônibus, mas nada. Em todo caso, estava preparada para pedalar os outros 32km da volta pela rota mais “povoada”, a que usei na ida.

O "lado de lá" é tranquilo: a parte mais agitada, a que você chega pela reta, é uma praia de nudismo - a do bar Mezcalitos - este ai de cima.

O terreno é plano, a paisagem é linda. Então se estiver com companhia, água e disposição é fácil pedalar o caminho todo.

Uma boa alma parou para me dar carona. Mário, um senhor de ascendência italiana e com um problema na mão. Era dono da empresa de construção dos piers. E o melhor: estava indo para o sentido que eu havia desistido, ou seja, consegui pelo menos conhecer tudo que me propus :)

Praias do lado de lá: domingo, sol e ninguém mais

Foi meu gostinho do Ironman Cozumel, a tradicional prova que acontece na ilha desde 2009 e passa pelo mesmo trajeto. Posso atestar que o asfalto é de boa qualidade e a paisagem linda :)

Nesta prova eles fazem como eu, com a diferença básica de que dão TRÊS voltas.

Minha bike nervosa. Até cestinha

IRONMAN COZUMEL

São duas provas. A tradicional e a versão 70.3. São realizadas em meses diferentes, e vale classificação para o Iron Hawai do ano seguinte apenas.

IRONMAN 70.3

Em 2012 será dia 23 de setembro, com 2 mil atletas. A inscrição começa em U$ 300.

Natação: 1.9 km
Bike: 90.1 km
Corrida: 21.1 km

 

IRONMAN COZUMEL

Neste ano será dia 25 de novembro. As inscrições abrem no fim do ano anterior e se pulverizam em poucas semanas.

 

         Versão “profissional” do trajeto. Este é o treinador e triatleta Buck, de Piracicaba

 


Twitter Siga o Corremundo pelo Twitter Facebook Curta nossa página no Facebook