Corre Mundo

Ouro Preto – Jazz, gastronomia e pedal


Volto para casa, como sempre, com pernas de escrava açoitada e coração cheio. (post gigante!)

 

OURO PRETO

Pela terceira vez posso dizer: fui feliz em Ouro Preto. Caminhar por aquelas ladeiras é sempre uma experiência mágica de volta ao tempo. Quando chegamos encontramos as ruas, tão antigas e históricas, tomadas pelos jovens das repúblicas.

- Por que é mesmo que eu não pensei em fazer faculdade aqui? – perguntei, e revi aquilo que eu fora, só que pelas ruas sem charme da cidade-lanche (Bauru).

Eu nunca havia notado, por exemplo, como o Museu da Inconfidência, na Praça Tiradentes, fica muito mais bonito à noite, assim como a cidade toda, sem os turistas, máquinas em punho, afoitos pelas melhores fotos.

 

Fiquei no albergue O Sorriso do Lagarto e não recomendo o quarto de casal sem banheiro. Dei uma olhada nos outros quartos e eram melhores, mas o banheiro coletivo desse era intragável. A suite de casal parecia bacana e o albergue ainda fica perto da Praça Tiradentes, já na saída para Mariana.

 

Festival Tudo é Jazz: Só deu para curtir mesmo no domingo. Sábado estava muito cheio e o som não funcionou adequadamente. Quem ficava lá trás não ouviu quase nada da Madeleine Peyroux.

Domingo havia menos gente, o som estava melhor e deu para sentar nas escadarias próximas à igreja do Rosário, tomar um vinho e aproveitar a noite gostosa. Perfeito.

 

Lugar onde fui feliz: Restaurante O Passo. Um dos lugares mais animados da cidade. Uma pizza deliciosa, refinada e nada cara. Experimentei a Quatro Funghis (Shitake, Shimeji, Champignon de Paris e Champignon) e a Coppola (Mussarela de Búfala, Tomate, Presunto Parma e Manjericão) – a última realmente deliciosa, com um tomate (!!) incrível. Para acompanhar, um shiraz.

Como a pizza grande não matou a fome resolvemos pedir um carpaccio de salmão com mostarda e pimenta rosa (sim, que idéia de jerico comer peixe em Ouro Preto! – mas valeu muito) e estava ótimo também.

O restaurante fica em um casarão antigo muito interessante, perto da Ponte dos Contos. É fácil achar.

 

Museus e monumentos: Não dava muita coisa pro Museu do Oratório , mas entrei e paguei a minha boca. É muito interessante, barato (R$ 2) e abriga uma primorosa coleção. Adorei os oratórios-bala, que imitavam balas de cartucheira e eram práticos para levar nas longas viagens. Fica ao lado da Igreja do Carmo.

De resto, em Ouro Preto, é se perder pelas construções maravilhosas. Visite os museus da Inconfidência, da Ciência, Casa dos Contos e do Aleijadinho; as igrejas do Pilar, Nossa Senhora da Conceição e S. Francisco de Assis.

 

 

BIKE

Agora já são três estados brasileiros onde eu deixei minha epiderme em tombos homéricos de bike: RJ, SP e MG, graças ao pessoal do grupo Mtb BH, que foi de uma gentileza só, providenciando bikes chiquérrimas (a inesquecível Pluminha) e mostrando um pedal lindo.

Não sei se interessam detalhes sórdidos, mas lá pelos 20 e tantos km eu cai e fui atropelada pelo amigo que vinha atrás. Cinco minutos depois, a gancheira desse mesmo amigo quebrou e desabou um temporal absurdo, dando fim ao nosso pedal na trilha Quilombo, que sai do parque Itacolomi (Mariana) e chega ao distrito de Lavras Novas, passando pela linda represa do Custódio (detalhes na matéria da VO2).

Lição: nunca acredite quando um mineiro disser que “quase não tem subida”. SÓ VAI TER MORRO…

 

 

MARIANA

Triste, mas a cidade de Mariana me fez perder a paciência, que em geral é generosa quando fora de casa. Descaso total de governo e população com jóias da época colonial. Assim que sair a matéria que fiz para o UOL eu coloco o roteiro explicadinho. É fácil andar na cidade e não são muitos monumentos e igrejas. Não vale a pena dormir lá, fique em Ouro Preto mesmo. A matéria do UOL está aqui e as fotos você pode ver aqui.

 

Mina da Passagem: Fica em Passagem de Mariana, entre Ouro Preto e Mariana, a poucos minutos das duas cidades. É um passeio caro (R$ 24) mas bom se você enjoar de ver igrejas e artesanato em pedra sabão.

Cogitei passar mal na descida para a mina e precisei respirar fundo umas três vezes, enquanto calculava o tempo necessário para me tirarem dali se eu tivesse um treco. Achei melhor ficar boa logo. Quando você desce do carrinho e começa a caminhar pelos corredores a sensação melhora, mesmo estando há 120 m da superfície.

Muitos mergulham na mina, pelos labirintos que foram inundados. Naquele breu, por corredores estreitos? Não é para mim, não. Se interessar, as empresas divetrek e scuba point te levam.

 

 

IMPAGÁVEL

Descobrir POR ACASO que seu vôo é meia hora antes do que você pensava quando você já está mega atrasada e muito longe do aeroporto, descer do ônibus correndo, pegar um taxi, rodar 40 km e chegar a tempo não tem preço!

(Essa vida de último segundo já está demais até para mim)

 

 


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  • 9 Comentários

  • Jussara says:

    30/09/2009

    Já faz tanto tempo minha última ida a Ouro Preto, que lendo seu post me deu uma vontade grande de voltar (não pra pedalar, obrigada). Vc é realmente maluca de encarar aquelas subidas absurdas de bike!!! (sim, eu sou mineira e estou dizendo que “só tem morro” – fato incontroverso).

    Mas me conta pra que matar de vontade essa pobre coitada, que está agora entupida de trabalho, contando detalhes sórdidos da pizza e do vinho??? Fiquei aqui babando, e acho que hoje, plena quarta-feira, meu marido vai se surpreender com uma vontade louca que vou ter de comer pizza e tomar vinho (pena não ter por aqui essa de cogumelos variados).

    Ótimo post, fotos lindas.. mais uma vez, parabéns pelo Blog, e mais ainda, por ter sobrevivido aos morros de Minas!!!

  • Tatuí says:

    30/09/2009

    Marina, é que a trilha que você fez, realmente é umas das mais fáceis da região, entenda-se, com menos subidas, por isso o pessoal diz que quase não sobe, hehehe.

    Foi bacana ter sua compania por aqui, volte sempre.

    Abraços.

  • Lilian says:

    30/09/2009

    Mais uma vez você nos traz uma grande história,em um belo texto,com belas fotos e,com duas pizzas que me deixaram com água na boca. :)
    Bjos

  • Eu fiquei com a mesma vontade da Jussara, estive lá nos idos de 1994!
    Beijos

  • Simplesmente fantástico o relato de sua viagem, espero que vc não guarde mágoa por falarem “quase não vai ter subida” rsrsrs. Em Minas é muito, mas muito difícil não ter morros nas áreas históricas. Quando vc vier novamente, de uma passada na cidade de Congonhas, fica a 40 km de BH e é bakana de +.

    Venha novamente em dezembro participar da Volta Internacional da Pampulha, faça sua inscrição com a equipetwittersrun

    Abraços do Mineiro
    Corre Guto

  • Fernanda says:

    01/10/2009

    “cai e quase fui atropelada” “quase tive um treco”
    fico pensando se algum dia esses “quase” desaparecem!!!
    rssss

    • Muito bacana seu relato, como nativo recomendo vc vir para os shows no aniversário de Ouro Preto, não pelo show em si mas pela energia das pessoas daqui. Outra coisa são as prosas as pessoas são atenciosas e dispostas a ajudar e a conversar. Abraços t+

  • Nossa Mariana adorei seu blog e como você escreve, vou recomendar para muitos dos meus amigos.
    Voltei a correr depois de muitas contusões, se quiser acompanhe minhas corridas em meu blog.
    Adoro uma aventura como vc, sou mergulhador avançado, ja vi muito tubarão e baleia, pulei de bunge jump, adoro acampar, sou faixa preta de karate…adoro esportes e natureza.

    Abraço,
    André

  • Que delícia de relato! Há quase dez anos eu passei nos vestibulares de Ouro Preto, Uberlândia e Goiânia e tive que escolher entre uma dessas cidades. E eu bem que pensava que seu eu fosse pra Ouro Preto talvez eu não estudasse muito… ;-) Acho que na verdade eu fiquei com medo de enfrentar essas ladeiras a pé todos os dias. Já estive lá duas vezes, mas apenas para passar o dia, aindatenho muita coisa para conhecer em Ouro Preto. Beijos!

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