Corre Mundo

Ouro Preto de outro carnaval…


Preciso fazer um parênteses na saga África do Sul (logo dou as dicas de turismo e coloco o vídeo do mergulho com tubarões, + as provas Cape Epic, Two Oceans e Comrades).

Vou para Ouro Preto amanhã e lembrei da minha última vez lá, no Carnaval 2008. Para quem não conhece, é maravilhoso. Não o carnaval das micaretas fechadas, que também insistem em acontecer, mas a festa dos blocos de rua, aberta, subindo com uma alegria que não cabe em si aquelas ladeiras históricas tão lindas e vivas, recebendo de braços abertos a água que os moradores jogam das sacadas para refrescar.

 

Porém, à parte toda essa beleza e alegria, eu e minha amiga não estávamos dispostas a pagar caro para ficar nas repúblicas, que alugam pedaços no chão para você jogar seu colchonete vagas, sendo que as mais baratas ficam onde Tiradentes perdeu as botas, lá perto da Universidade.

Nesse momento eu tenho uma das minhas brilhantes idéias: vamos alugar um carro lá e dormir nele. Gastaríamos pouco e ficaríamos no centro. Per-fei-to. Já na rodoviária de BH conhecemos um hippie louco (pleonasmo) que ficou com dó e nos convidou para ficar na casa em que ele estava. Quando um hippie tem dó de você, meu caro, é porque a coisa tá feia mesmo. Recusamos gentilmente e seguimos nosso plano.

 

OBS interessante: Encontrei esse hippie (o Barba), meses depois, na rodoviária de Campinas. Ele me mostrou o comprovante da Caixa Econômica – havia ganho 300 mil reais na Lotofácil ou Lotomania, não sei. Ia comprar uma casa para ter o aluguel de renda e continuaria vivendo como hippie. Quem disse que eles não acreditam em capitalização fácil, né?

Voltando a Minas: Em frente à rodoviária de Ouro Preto tem uma locadora. Alugamos o Palio mais barato (30 dia/cabeça). Deu dó quando o vendedor perguntou se queríamos km livre.  Não, nós definitivamente não iamos rodar muito…

 

Escolhemos uma igreja para estacionar.

– Deus ta olhando, pensava comigo mesma, para sossegar.

 

Alguns amigos nos garantiam banhos diários, porque higiene não estava em discussão, mas uma coisa ainda seria um problema: devolveríamos o carro-lar na segunda de carnaval, mas só iríamos embora na terça (e a locadora estaria fechada). Devolvemos o carro e seguimos com nossos pulos de festa, sem pensar muito sobre o que aconteceria depois.

Naquela noite choveu muito e as ruas ficaram vazias. Tínhamos feito amizade com a dona de um restaurante e ficamos a noite toda ajudando-a. Lá dentro virou uma festa, pois todo mundo entrava, fugindo da chuva.

Lá pelas 2h da manhã ela fechou o estabelecimento. Naquele momento caiu nossa ficha de que estávamos literalmente na rua. Não que nossos pais tivessem nos criado para isso…. Eu venho, inclusive, de uma família bem neurótica.

Nem tínhamos terminado de dizer a frase, passou um carro. Perguntaram onde estávamos hospedadas. – Na rua, respondemos. – Ha-Ha-Ha, fala sério. Falamos.

 

Convidaram então para dormir na república em que eles estavam. Fomos. Sim, era lá onde Tiradentes perdeu as botas. Mas todos eram muito gentis. Minha amiga, inclusive, namorou por bons meses um deles, do Rio. Detalhe: ela mora em Curitiba.

Queridos, vocês namorariam uma menina que mora a quilômetros de distância e que você tenha literalmente a tirado da rua? E, mais do que isso, conhecido no Carnaval de Ouro Preto? Pois é, eu falo que já vi de tudo nessa vida.

 

Enfim. Deu tudo certo. Como sempre, meu anjo é 10. Acho que ele estava feliz por estar em Minas também, como eu sempre fico… :)

 

(Mãe, dessa vez eu tenho onde dormir, ta?) rsrssr

Ah, estou indo para o Festival de Jazz + matéria sobre Mariana + matéria de pedal. Conto tudo depois!


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  • 11 Comentários

  • Acho que a maior delícia da vida é ter histórias como esta para contar! Boa viagem!

  • Essas histórias de viagem são umas das melhores recordações da vida, também tenho cada uma!

    Aproveite nossa linda Ouro Preto, também estarei lá para o Festival de Jazz (sou de BH).

    Grande abraço!

  • Que aventura, hein! Espero que dessa vez sua viagem a Ouro Preto seja mais fácil, mas não menos emocionante! :-)

  • Lilian says:

    18/09/2009

    hahaahaha….adorei o “carro lar”…o pleonasmo sobre o hippie uhauahuaau…realmente, é o fim da picada quando um hippie fica com de vc…rsrsrs…Bom demais ter histórias dessas pra contar.Essa é a verdadeira experiência de vida…tbm tenho muitas do tipo…que prefiro manter em off rsrs…Boa viagem, boa matéria…espero que seu anjo esteja sempre por perto.Bjos PS:espero a matéria novinha.Avisa no twitter.

  • Renan says:

    18/09/2009

    hahahaha AMEI!!! =)

  • agora eu entendi quem foi o pé-frio (ou pé molhado) que levou a chuva pro final de semana, hehehe… chuva e calor ao mesmo tempo eu nem sabia que existia naquela cidade.

  • Cintia says:

    24/09/2009

    Marina, os anjos protegem crianças, bêbados e vc!

  • Thatha says:

    07/04/2010

    Máááá…
    Nunca tinha visto esse post.
    Sinto-me privilegiada em fazer parte dela.
    Daria muuuuito para estar em novas aventuras como essa.
    Saudades!
    Beijos

  • Daniel - o carioca que namorou uma menina de curitiba hahaha says:

    08/04/2010

    Muito bom marina! Esse texto, muito bem escrito por sinal, é a prova de que cariocas são gentis, amáveis e acolhedores! =)
    As duas da manhã catando o que fazer na chuva encontrar vocês perdidas foi mais do que coincidência, conhecer e namorar essa “curitibana” (Thais), foi um marco na minha existência, somos amigos até hoje e essa história que vivemos certamente ficará na lembrança pra sempre.

    Foi um prazer inenarrável ler esse post e fazer parte de parte dessa aventura.

  • Felipe says:

    24/12/2013

    Quero fazer quase a mesma coisa que vc em 2014! Só não tenho onde tomar banho… Queria saber: é possível tomar banho na rodoviária ou em algum outro lugar?

    • Marina says:

      09/01/2014

      A rodoviária é pequena, acho que não tem lugar para tomar banho. Melhor pedir em alguma república mesmo hehe

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