Corre mundo

Corrida, pedal e turismo

ANO NOVO EM MUNDAU (CE)

 

Vou interromper a série da África do Sul (falta esmiuçar a Garden Route, com mergulho com tubarões) para aplacar a curiosidade de muita gente sobre meu reveillon. Estava em Mundau (CE). Depois de sacolejar quase quatro horas em um ônibus vindo de Canoa Quebrada, chegamos à rodoviária de Fortaleza (alguém nesse mundo me explica porque ainda deixam essa viação São Benedito existir ???).

Chegamos a tempo de pegar o último ônibus direto para Mundau. Ufa, que sorte! (Pausa longa e irônica). Eram 4h da tarde e chegamos a Mundau às 22h, depois de passar por todas as bimbocas possíveis e sempre rezando: – Por favor, que Mundau não seja aqui.  (Um detalhe: ao todo, 10h de ônibus para rodar menos de 400km por vias asfaltadas).

Enfim, chegamos. Mundau não é uma cidade para se chegar a noite e depois de tanto sofrimento. Em outras palavras, lá não tem absolutamente N-A-D-A.  A dona da pousada era meio doida e simplesmente esqueceu que chegaríamos aquele dia e foi arrumar o quarto. (Isso porque a maior parte das nossas diárias já havia sido paga antecipadamente).

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Melhor dormir e esperar o dia seguinte. A cidade tem coisas lindas, mas só durante o dia, como dunas, lagoas, rio, praia. Ok, dormir. Você sabe o que é dormir com morcegos no quarto? Não, não entre o forro e o telhado, nem na janela. NO quarto. DENTRO. Nosso singelo cômodo fazia parte da rota dos bichinhos, que entravam de um lado, passavam por cima de nossas cabeças e saiam por um vãozinho do outro lado. Tentei lembrar de tudo que já havia assistido no Discovery Channel. Como era mesmo? Recapitulei:

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1) Morcegos transmitem raiva

2) Morcegos fazem você virar vampiros (Não, não, isso não foi no Discovery…)

3) A maioria das espécies se alimenta de frutas

4) Eles são meio ceguetas (Essa era a pior. Primeiro, ele podia confundir meu pé com uma carambola qualquer. Segundo, ele podia errar o vãozinho e cair na minha cabeça)

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Tentativa de remediar a situação: Três noites de luz acesa (não adianta nada) e uma tenda árabe feita com canga sobre a cabeça.

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Depois eu conto tudo de legal que teve lá. Não grandes coisas, mas vamos organizar. Lembra como foi chegar a Mundau? Eu ainda não sabia como sair de lá. O Ceará tem um problema seriissimo de transporte público. Não existem ônibus interurbanos. Todos eles são como circulares que vão de cidade a outra, mesmo em trajetos muito distantes, fazendo milhões de paradas. 

Para sair de Mundau e seguir na direção de Jeri eu só tinha uma opção: chegar a Itapipoca, uns 40 km dali. Ha! E como chegar a Itapipoca?   “Olha, tem que ser o pau de arara. Ele passa todo dia entre 4h e 5h da manhã”.  Ah tá. E lá vamos nós, levantar antes das 4h (oi, batman) e esperar o pau de arara que nos levaria a outra dimensão.

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Às 7h da manhã chegamos a Itapipoca. Sim, eram apenas 40 km – em mais de duas horas. Itapipoca é uma cidade grande. 200 mil habitantes, segundo o taxista. Mas é assustadora.  Bois e porcos pendurados sangrando nas calçadas dos vários açougues. Havia uma praça bonitinha (um alento, podemos esperar o ônibus ali, pensamos), mas o pau de arara seguiu adiante. Não, não era ali nossa parada.

O “guichê” da Redenção para esperar o ônibus para Jeri era horrendo. Sabe a 25 de Março? Pareceria o Shopping Iguatemi. Eram 7h da manhã, nosso ônibus passaria “entre 11h e 11h40, num dá pra ti dizê” e chegaria a Jijoca às 15h30. Novamente, todo esse tempo para andar 150 km por asfalto.

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Haviamos acordado às 3h30 da manhã e esperar até as 11h ali, para então sacolejar até as 4h da tarde estava totalmente fora de questão. Minha muquiranice é algo digno de nota, mas dessa vez o Ceará ganhou. Pegamos um táxi (R$ 160, gastos com muito gosto rsrs) e às 9h da manhã estava em Jijoca. Às 10h, em Jeri. Olá, férias! :)

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PEDAL NA ÁFRICA DO SUL

 

Quem não pedala horrores a ponto de fazer o Cape Epic e tá com dinheiro sobrando pode tentar os Day Trippers, um grupo que faz o mesmo trajeto do Epic mas com regalias. Como uma van segue junto, é subir e pedir arrego ao Steve quando cansar ou não quiser encarar uma das subidas mais insanas.  Está cerca de R$ 3 mil por pessoa (praticamente o dobro do Epic).

Os Day Trippers não dormem nos acampamentos, normalmente ficam em pousadas ou hotéis. É o maior inconveniente pois além de ajudar a salgar o preço, acaba separando as pessoas a noite. (A maioria dos Trippers são mulheres acompanhando namorados e maridos do Epic).

Não que alguém esteja em condições de pensar em fazer qualquer coisa a noite, mas….

Além do Cape Epic, a empresa faz uma série de outros passeios por Cape Town e arredores, seja de um dia ou pequenas viagens. Dá até para encarar os 450 km da Garden Route. Steve, o dono, cuida da empresa com a sua mulher e os dois são animadíssimos. Pra quem não quer se aventurar sozinho pelo país, certamente é a melhor opção.

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BRASILEIROS CAPE EPIC 2010

 

Lerda. Enquanto ficava pensando em quem estaria no Cape Epic 2010, a lista já estava no site.

Para facilitar para vocês, encontre aqui na lista quem foi sorteado. Ah, provavelmente teremos mais brasileiros este ano que ano passado. Só de ciclistas são 31 por enquanto. Nenhuma dupla feminina, apenas duas mistas. Pelo que vi, as três duplas mais fortes são Mário Roma e Adriana Nascimento, Michel Bogli e Daniel Aliperti e os mineiros Uirá Ribeiro e Hugo Prado.

 

Uirá Ribeiro e Hugo Prado

Michel Bogli e Daniel Aliperti

Emerson Lima e Luiz Teixeira

Lourenço Bizarria e Zé Filho

Harry Beute

Celso Pavão

Marcelo Blanch Nascimento e Fábio Dias

Eduardo Accioly e Alfredo Montenegro

Adriana Nascimento e Mário Roma

Bruno Reis e Rogério Pires

Vinícius Cruz e Felipe Miranda

Marcello Cenci e Eduardo Marcolino

Rafael Niro e Filipe Xavier

Flávia Dall Acqua e Rodrigo Vasconcellos

Luiz Gatti e Célio Rodrigues

André Piva (da Bike Action) e Roberto Nogueira

Paulo Brandão e Antônio Villar

Cesar Ranieri e Fábio Miyake

PS: Repescagem rolando solta e esse post só aumentando…

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CAPE EPIC– CRUZANDO A ÁFRICA DO SUL

logo 

Eu acredito profundamente que quem participa de uma prova como o Cape Epic é meio maluco. Doido varrido.

Mesmo assim eu incentivo todo mundo a participar e sempre vibro com cada brasileiro lá.

A boa notícia é que depois de dois anos consecutivos cobrindo a prova digo que ela está  bem mais civilizada. Em 2008 a contabilidade dos “estragos” ao fim do dia era bem mais cruel. Ainda assim, não espere moleza. São 722 km e quase 15 mil metros de subidas acumuladas.

Entre os dois anos, mais mudanças: um dia a menos de prova, menos quilometragem e a permanência de mais dias em cada vilarejo. Neste ano serão até três noites em cada acampamento e um contra-relógio. Perde muito em charme (acordar cada dia em um lugar diferente), mas para os ciclistas é sinônimo de descanso extra, sempre bem-vindo.

Na última edição, um recorde de brasileiros. Ao todo, éramos 40, contando duplas na corrida, voluntários, imprensa e Epic Trippers. Foi a primeira vez que brasileiros subiram ao pódio do Epic. A maior festa verde-amarela quando Dudu Soares e Daniel Aliperti chegaram em terceiro no master.  Até então, a entrega de prêmios durante o jantar era uma cerimônia insossa e quase tediosa, até que “os brasileiros ensinaram ao mundo como é que se celebra”, nas palavras de Terry Kobus, da organização de mídia (o cara que pacientemente nos levava todos os dias para percorrer o mesmo trecho que os atletas – mas chacoalhando confortavelmente em uma Toyota). 

Esse ano até a Globo estava lá (mas por razões suspeitíssimas). Veja o vídeo do Esporte Espetacular que causou o maior rebuliço por não mostrar os brasileiros do pódio aqui.

 

JOGO RÁPIDO

Quanto treinar
A prova será entre os dias 20 e 27 de março. Treino forte específico entre seis e oito meses. É bom ter feito alguma das rotas difíceis no Brasil, como o Caminho do Ouro (Diamantina/Ouro Preto a Paraty) ou o Caminho da Fé, de Tambau a Aparecida, por exemplo. A Serra da Canastra também foi citada como um bom lugar de treinos.

 

O que levar
Lanterna de cabeça, saco de dormir, cadeados e pouquíssima bagagem, pois você terá que fazer tudo caber dentro de uma única mala. Há serviço de lavanderia todos os dias e o preço não é abusivo.

 

O que vai comer
Na inscrição já está incluso o café da manhã e o jantar, tudo devidamente apimentado, como manda a culinária local e para desespero de alguns competidores.

O café da manhã é composto por: chafé (um terror), ovos mexidos com lingüiça, pão, queijo, frutas e cereal. O iogurte deles é maravilhoso.

Almoço: barraquinhas no acampamento. Não dá para fugir muito dos chamados Boerewors Roll, um cachorro-quente de lingüiça (apimentada, pra variar, e às vezes com gosto de canela). 

Jantar (servido às 18h): macarrão, batata, frango, frango, frango, frango, frutas.

 

Para dormir
Você até tem a opção de pagar (bem mais) caro e não ficar nas barracas do acampamento, mas, a meu ver, perde o verdadeiro sentido da prova. Além disso, a barraca é confortável e você estará tão cansado que nem vai notar nada mesmo. Escolha uma bem longe dos banheiros. O vai-e-vem à noite é constante.

vista das barracas

Vista das barracas. Nada mau.

 

Com quem ir
Não adianta escolher um parceiro porque ele é muito engraçado, camarada ou pelos belos olhos verdes. No fim das contas, vocês estarão se matando. Já vi muito bate-boca, cara feia, casamentos quase desfeitos na trilha. Tem que ser alguém com o mesmo ritmo, mesmo treino, mesmas condições. A prova já é dura por si só, então não piore. Ninguém termina o Epic em dupla sem ter um companheirismo absurdo: um dia o parceiro não está rendendo muito, no outro dia é você e assim por diante. Essas pequenas diferenças são aceitáveis e normais. Mas se o condicionamento e os objetivos são muito diferentes, com o passar dos dias isso torna-se insuportável.

 

Quanto custa
Passagem aérea: a partir de US$ 1.200, com a South African Airways. Na minha opinião, uma das melhores companhias aéreas em relação ao serviço de bordo. Você vai até Johanesburgo e de lá faz a conexão. Não se assuste se for parado pela imigração. Eu fui todas as vezes e não vou nem pensar sobre o que eles acham que tenho cara. Cansei de ter o cadeado da mala arrebentado e já deixo tudo aberto.
Inscrição: US$ 3.300 por dupla (a mais simples, para ficar no acampamento). Subiu, pois ano passado estava US$ 2.500. Mesmo assim é barato. Provavelmente eles vão gastar mais do que isso em você, só em massagens nas suas pernas e bunda e curativos nos seus pés (ou o que sobrar deles).

divulgação

praia

agua

montanhas

 

O inventor da moutain bike e seu bigodinho simpático, Tom Ritchey, presença garantida todos os anos

bigodinho

 

 

Chegada do último dia das campeãs femininas 2008

queda

dudu e daniel 

Dudu Soares e Daniel Aliperti: primeiro pódio brasileiro no Epic

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Corrida na Cidade do Cabo – Two Oceans

 

 

Quem pratica o esporte pode conciliar a viagem com algumas das famosas provas que são realizadas lá. Em Cape Town a mais tradicional é a ultramaratona Two Oceans, sempre no sábado de Aleluia (3 de abril de 2010 – inscrições até 3 de março), com opção de 21 km ou 56 km.

A ultra tem o trajeto mais interessante, sendo quase todo realizado próximo ao mar e pela Chapman´s Peak, a linda rodovia que circunda a montanha que margeia o oceano. A meia-maratona passa longe, longe do mar.

A prova é bem organizada e bastante animada. As famílias aproveitam para ficar na porta de casa fazendo churrasquinhos. Impossível não se sentir em casa. rsrs

Costuma ventar MUITO. Em 2008 a ventania chegou a 41km/h.

Entre meia e ultra são 18 mil corredores. Em 2008, uma brasileira muito especial: Isabel da Silveira, 60 anos, de Belém do Pará. Em 2006 ela tentava sua terceira ultra. Teve um ataque cardíaco no km 30, ficou dois dias em coma no hospital e acordou brigando com o médico pois precisava voltar para a corrida. Ela, claro, contava isso enquanto alongava para correr a meia-maratona. “Vou ser mais conservadora esse ano”, disse, rindo. Bom humor a toda prova.

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mapa two oceans

O trajeto amarelo é a meia-maratona. Em vermelho, os 56km.

Em tempo: Apesar de chamar Two Oceans e ir de um lado a outro do Cabo da Boa Esperança, teoricamente a prova só passa pelo oceano Atlântico. O encontro com o Índico fica alguns quilômetros adiante, no Cabo das Agulhas.

 

 

PETER

peter

Você acha que corre muito? Esse senhor ai de cima é Peter Taylor. Tem 50 anos e correu as últimas 22 edições da Two Oceans. A ultra (56km). DESCALÇO. E pra ficar mais divertido, ainda carrega esse carrinho de bebê amarrado às costas. Tudo para arrecadar dinheiro para uma associação de cães-guia para cegos. Ganhou permanentemente o número 638.  “Enquanto eu estiver vivo vocês vão ver um gordo mal treinado correndo assim essa prova”, diz.

 

 

TREINOS

O que não falta é lugar interessante para correr em Cape Town. Pode tentar a Chapman’s Peak, Lion’s Head ou a Table Moutain para treinos duros. Sea Point é plano e de fácil acesso. Clique aqui para ver algumas outras rotas na cidade (em inglês).

 

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